Após umas inspiradoras férias, quero partilhar e espalhar o que tão intensamente vivi durante os nove dias do Curso de Design de Permacultura, com Lesley Martin, na Quinta Cabeça do Mato
Aqui fica o artigo que escrevi! Bem-Haja!
O problema é a solução
O mundo está a mudar. Há toda uma força paralela aos problemas que assolam a sociedade. Uma força criativa de mudança, que procura a solução no problema. Permacultura. É este o termo que precede uma alteração de mentalidade. É tornar permanente uma agricultura sustentável, suficiente para alimentar cada um de nós, uma cultura em que o lixo não é um excendente poluente, mas material de construção, de arte, de música, de fertilização da terra. É reorganizar a vida em parâmetros olhados muitas vezes como rudimentares. É voltar atrás para seguir em frente, sem destruir o Planeta e preservando a espécie humana envolvida no seu todo que é a Natureza, da qual nunca se deveria ter desligado.
O curso de Design de Permacultura, oferecido por Lesley Martin na Quinta Cabeça do Mato, em Vila Seca, Tábua, não é, como a própria tutora inglesa referiu, “apenas mais um técnica de jardinagem” ou uma forma de agricultura biológica. Trata-se de um conjunto de princípios éticos cujo intuito excede a conservação do existente, olhando a regeneração das terras e as comunidades deprimidas, desertificadas como consequência da desintegração do povo. Há três simples passos para cada um de nós avançar de acordo com o pensamento da Permacultura, um termo registado por Bill Mollison, o grande percursor deste movimento: reduzir o uso de fontes de energia não renováveis, despender tempo a experimentar e a conviver com os outros e fazer crescer alguma planta, quanto mais não seja um vaso numa varanda.
A Permacultura recupera técnicas ancestrais e incentiva a imaginação e a criatividade no sentido da desconstrução de ideias procurando maior eficiência com o menor esforço possível. Prentende fechar ciclos, imitando a Natureza, sem se fechar num conceito ou conjunto de indicações, pois incentiva a experimentação em diversas condições geográficas e climatérias. Trata-se de aproveitar o melhor que a Terra tem para nos oferecer, cuidando dela e das pessoas, dois dos princípios básicos éticos desta filosofia de vida. Nas cidades os desafios são outros. Se por um lado, a vida urbana apresenta vantagens no sentido da sustentabilidade, como a possibilidade de usar menos o carro, dada a proximidade de todos os bens e serviços à distância de uma viagem de metro, por exemplo, há desafios emergentes do excesso de população, com consequências ao nível da qualidade de vida, do ar e outros tantos factores já bem debatidos na nossa sociedade. Mesmo assim, é largo o leque de propostas para responder à cada vez mais premente questão dos citadinos: o que posso mudar? Reciclar (melhor do que reciclar é reutilizar o máximo possível), recolha ou poupança de água, utilização de melhores materiais de construção, promoção de hortas comunitárias, de pequenos jardins nos terraços e consumo de produtos locais, incentivando de preferência os mercados de agricultores, onde os bens viajam o mínimo possível, contribuindo assim para a redução de utilização de fontes de energia não renováveis.
Se criamos desertos à média de 5.4 milhões de hectares por ano, devido à agricultura inapropriada, ao excesso de pasto e à deflorestação, a Permacultura desafia mesmo as terras mais áridas, aproveitando a mais pequena possibilidade de nutrientes da chuva ou das linhas de água para criar verde.
Se é possível falar de permacultura no deserto, é também incrível o que se pode fazer crescer num terraço, como morangos pendentes em vasos ou tomates trepadeiros de cantinhos aromáticos.
O Curso de Design de Permacultura destina-se a todos os interessados em abraçar uma nova filosofia de vida, na qual o Ser Humano trabalha com a Natureza e não contra ela. A Quinta Cabeça do Mato promove já nos próximos dias 14 e 15 de Junho uma Introdução à Permacultura, que antecede o segundo Curso de Design a ter lugar em Setembro.